Texto: Susana Barragán
João Monteiro
Data nascimento: 29/08/1983
Peso: 75 kg
Altura: 1,80 m
Palmarés
- Campeão Nacional de Séniores de 2002 a 2008
- Campeão de Portugal de 2000 a 2007
- Primeiro português na história do ténis de mesa a classificar-se para os Jogos Olímpicos
– Tem as melhores classificações de sempre de um jogador português no ranking mundial (59º) e no ranking europeu (25º)
- 3º classificado no campeonato alemão de ténis de mesa ao serviço do TTF Liebherr Ochsenhausen (2008)
- 3º classificado no Top 12 Europeu de Juniores
- 3º classificado no Campeonato da Europa de Juniores
- 3º classificado no PRO TOUR da Eslovénia
- 3 vezes 3º classificado no PRO TOUR do Chile
- 1º classificado no PRO TOUR do Brasil
- 2º classificado no PRO TOUR da Dinamarca em sub-21
- 2º classificado no PRO TOUR da Alemanha em sub-21
- Campeão Ibero-Americano em Juniores
- Campeão Mediterrânico em sub-21
Se tivesse optado pelo futebol, como chegou a ser a sua vontade, talvez a transferência de um clube alemão para um italiano representasse o ponto alto de uma carreira. Mas ao confirmar a saída do TTF Liebherr Ochsenhausen para o Sterilgarda Castel Goffredo, equipa que defenderá mal termine a sua participação nos Jogos Olímpicos, João Monteiro prova apenas que está em percurso ascendente no ténis de mesa e que ainda espera “alcançar muitas vitórias e evoluir bastante”. Depois de três anos na Alemanha, onde os adeptos o conhecem por “Monti”, o mesatenista ingressa agora numa das melhores formações italianas que disputa, na próxima época, a Liga dos Campeões Europeus de ténis de mesa. Uma carreira de luxo para os 24 anos de João Monteiro, marcada pelo salto qualitativo de uma “emigração compulsiva”.
Em busca da profissionalização
“Nas camadas de formação Portugal está entre os melhores da Europa. Até à classe júnior batemo-nos muito bem com qualquer país europeu. É na passagem para o escalão sénior que a diferença se faz sentir. Falta a profissionalização para os atletas se sentirem motivados”, explica João Monteiro. Um campeonato amador e horas de sacrifício roubadas à formação académica são as perspectivas mais comuns a um mesatenista luso na passagem para o escalão sénior. No caso do jovem atleta de Tercena, depois de ter passado pelos mais destacados clubes nacionais, o Sporting e o São Roque, na Madeira, o pior foi “sentir que já tinha ganho o que podia ser ganho e não havia como evoluir em Portugal. Mas eu queria ir mais além na modalidade”. Em 2006, deixou um curso de Desporto a meio e aceitou o convite do TTF Liebherr Ochsenhausen, onde, para além das excelentes condições de trabalho oferecidas, se deparou com um campeonato profissional com honras de cobertura televisiva e cerca de 3000-4000 pessoas nas bancadas por jogo.
Modalidade complexa
Se pensarmos que é a oriente que se situa a elite de jogadores de ténis de mesa, estar entre os 59 melhores jogadores mundiais é uma das melhores gratificações que João Monteiro destaca da sua experiência em terras germânicas. “Sou o número 25 do ranking europeu e fui o primeiro português a classificar-me para os Jogos Olímpicos nesta modalidade… o balanço só pode ser positivo!”. E fruto de muito trabalho. “Dedico-me totalmente ao ténis de mesa. Entre treinos técnico-tácticos e trabalho físico, treino 6 a 7 horas por dia. Também tenho acompanhamento psicológico, para melhorar o rendimento e a concentração”. Só estranha quem se habitou a pensar no ténis de mesa como hobby, como parece ser o caso dos portugueses. Para o mesatenista, “é uma modalidade muito complexa. Um jogador de topo tem de ser tecnicamente muito bom, mas se não tiver uma boa condição física é impossível chegar às vitórias. Os torneios duram 2 a 3 semanas, são verdadeiras provas de resistência, e a partir de certa altura a condição física pode fazer a diferença”.
É por isso que as 2 horas diárias de ginásio incluem muito treino de velocidade e força. “É preciso ter força de explosão, pernas fortes e rápidas e muita força de ombro e braços, para imprimir potência à bola“, lembra João Monteiro. “Também faço trabalho de reforço lombar, já que passamos o jogo numa posição flectida que recruta muito as costas, e porque já sofri uma lesão nesta área que me afastou durante duas semanas”. No capítulo lesões, destaca ainda a importância do ombro, pulso e joelho. “O trabalho não é assimétrico, embora em muitos jogadores se note claramente o lado mais forte”, explica o atleta. Com um estilo de jogo mais atacante, João Monteiro conta que o facto de ser canhoto nunca lhe garantiu particular vantagem: “há muito trabalho de observação por parte dos treinadores, que preparam os seus jogadores para esta situação”.
Média estatura, não exageradamente musculado e com bom porte atlético, um bom jogador de ténis de mesa deve ser, sobretudo, veloz. Um bom trabalho de pés e boa velocidade de reacção são características essenciais. “A bola chega a atingir 200 km/h. Temos de reagir, apanhar a bola e colocá-la do outro lado”. Tudo em cerca de 0,5 segundos.
30/7/2008