A acusação é relativamente unânime: a falta de exercício e o excesso de comida têm vindo a engordar sucessivamente as cinturas dos americanos. Mas a epidemia é geral: a Europa e até os países orientais já apresentam números elevados da doença, com facturas elevados no que diz respeito às doenças que lhe estão associadas (diabetes, colesterol elevado, doenças cardiovasculares).
Depois de uma “maratona” a analisar a literatura científica disponível, uma equipa internacional de investigadores – conhecida por Alabama Group - chegou à conclusão de que muita atenção tem vindo a ser direccionada para estes dois factores, a que chamaram “The Big Two”. Para incentivar o debate, os cientistas publicaram no Journal of Obesity uma lista de 10 outras possíveis causas, também suportadas por evidências clínicas. A análise intercruzada de factores pode contribuir, segundo os investigadores, para um diagnóstico mais correcto em relação à obesidade.
10 Causas Adicionais para a Obesidade
Propostas pela Alabama Group
1 – Privação de sono.
Dormir pouco, trabalhar por turnos ou sofrer de perturbações de sono são situações que causam alterações hormonais (nomeadamente desregulação das hormonas cortisol e melatonina) e podem conduzir à obesidade.
2 – Poluíção e contaminação química.
Quer o ar quer os alimentos são veículos para a entrada de inúmeros químicos sintéticos no organismo. Alguns deles agem a longo prazo, causando perturbações hormonais que prejudicam a absorção natural de nutrientes e destruindo a eficácia do processo digestivo.
3 – Temperatura e ar condicionado.
Sempre que o corpo sente demasiado calor ou frio, utiliza calorias para manter uma temperatura corporal adequada. Os ambientes com temperaturas controladas evitam este processo de controlo homeostático.
4 - O paradoxo do tabaco.
Extremante prejudicial; mas é um facto que acelera o metabolismo. Com o número de ex-fumadores a aumentar, a tendência para a obesidade pode aumentar na mesma proporção. A chave é encontrar uma actividade que tenha o mesmo efeito mas sem os danos associados ao acto de fumar.
5 – Fármacos.
O uso de medicamentos contraceptivos, esteróides, corticóides e anti-depressivos está frequentemente associado a ganhos de peso. Mais uma vez, falam as hormonas: são elas que provocam retenção de líquidos e aumento de apetite.
6 – Alterações sociais.
Estatisticamente, as pessoas de meia-idade e os hispânicos apresentam mais peso do que os jovens europeus. O relatório evoca o modelo social norte-americano, mas o dado a reter é que o factor raça pode determinar uma tendência para a obesidade.
7 – Maternidade tardia.
Por cada cinco anos a mais na idade da mãe, o risco de uma adolescente se tornar é obesa é 14 por cento mais elevado. Actualmente as mulheres adiam cada vez mais a maternidade.
8 – Influências pré-natais.
Mães obesas ou com diabetes gestacional dão origem a bebés maiores, influência que se pode fazer sentir até duas gerações.
9 – Obesidade e infertilidade.
Embora também possa causar infertilidade, alguns estudos também referem que pessoas obesas têm tendências a ser mais férteis e a ter mais filhos, propagando geneticamente a propensão para a obesidade.
10 – Uniões entre obesos.
Homens e mulheres mais fortes tendem a casar entre si. Se existem cada vez menos magros - e como a obesidade têm uma componente genética - é de prever que a nova geração seja consideravelmente mais pesada.
12/2/2007